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A aula expositiva tem sido uma das principais estratégias pedagógicas em todo o mundo, desde que o método foi consolidado pelos jesuítas na Idade Média. Mesmo com a introdução de outras metodologias, baseadas em autores como Jean Piaget, e o crescente uso de ferramentas de tecnologia educacional, as aulas expositivas continuam presentes no cotidiano das escolas.Seguindo esse conceito, o professor entra na sala e expõe o conteúdo de uma disciplina para os alunos, que fazem anotações e perguntas. No final da aula, o professor passa a lição de casa. Na aula seguinte, após a correção das tarefas, o professor faz outra apresentação e assim sucessivamente, até a conclusão do curso.Recentemente, porém, um método que inverte esta lógica tem sido adotado por professores. É o flipped classroom ou sala de aula invertida.

Explicação em casa e atividade em sala de aula

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No formato de aula invertida, o professor grava vídeos de curta duração (5 a 15 minutos) em que apresenta os conceitos fundamentais de um determinado conteúdo. Os alunos assistem às apresentações fora da sala e do período de aula – em casa ou na própria escola, caso não tenham computador ou acesso à web. Na aula seguinte, os estudantes usam os conceitos apresentados no vídeo para solucionar problemas, com a ajuda do professor e de seus colegas. Assim, o que é entendido como aula no esquema tradicional (a exposição de conceitos) transforma-se em “lição de casa”, e a resolução de questões para aprofundamento e sistematização, antes feita em casa, passa a ser a uma das atividades em sala de aula.

O flipped classroom começou a ganhar forma em 2007 pelos professores norte-americanos Jonathan Bergman e Aaron Sams, que gravaram algumas apresentações para estudantes que haviam faltado à escola. Como as aulas estavam disponíveis na internet, outros alunos, de outras escolas, assistiram também. Isso chegou ao conhecimento de outros professores, que adotaram o método e passaram a gravar seus próprios vídeos.

A união de tecnologia educacional e atividades de aprendizagem nesse modelo permite que os alunos vejam as aulas no seu próprio ritmo, pausando para fazer anotações ou retrocedendo a gravação se não entenderem alguma explicação, por exemplo. Além disso, caso os vídeos estejam disponíveis em uma plataforma voltada ao aprendizado, como os portais Aprende Brasil e Educacional, eles podem interagir com colegas e professores. A sala de aula transforma-se em um ambiente realmente colaborativo, permitindo maior interação com o professor e também entre os alunos, favorecendo a apreensão do conteúdo e o engajamento dos estudantes no processo de aprendizagem.

Sucesso entre alunos e professores

A adoção da flipped classroom tem demonstrado bons resultados. Estudo realizado com alunos de primeiro ano em uma escola de ensino médio no estado de Michigan (EUA) mostrou que o método reduziu significativamente a reprovação em inglês (de mais de 50% para 19%) e matemática (de 44% para 13%), diminuindo também o número de problemas disciplinares.

No Brasil, uma pesquisa conduzida por Parahuari Branco e Luana Wünsch, da divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática, avaliou a utilização da flipped classroom em duas escolas particulares, que envolveu  210 estudantes, um professor de ciências e dois professores de história. Em cada escola, foram selecionadas classes da 8ª série: em uma delas, foi adotada a flipped classroom e, nas outras duas, manteve-se o método tradicional. Além de vídeos, foram usados outros conteúdos multimídia, disponibilizados no Portal Educacional.

Embora não tenha impactado diretamente o desempenho nas provas realizadas sobre os conteúdos trabalhados, a metodologia foi muito bem recebida por alunos e professores. Antes da flipped classroom, a lição de casa era considerada “chata”, e quase 40% afirmaram que as lições serviam apenas para estudar para as provas. O novo formato foi considerado mais “legal”, interessante e fundamental para as atividades realizadas durante as aulas, que passaram a ser mais “divertidas”.

Inicialmente preocupados com o planejamento das aulas no esquema de flipped classroom, os professores logo perceberam que ele os ajudava a organizar melhor o conteúdo e a otimizar o tempo em sala de aula. Resultado: mais tempo para explorar novos métodos e para interagir com os alunos e mais satisfação profissional.

“Num primeiro momento, acreditávamos que o foco da pesquisa da nova metodologia era a lição de casa, mas, ao longo da implementação do método, percebemos que isso era apenas o ponto inicial para a promoção de algo maior: o dinamismo em sala de aula”, afirmam os autores do estudo. Para eles, a flipped classroom é um bom formato de integração da tecnologia na educação e os principais destaques da sua adoção são a participação ativa dos estudantes no contexto da aprendizagem, a percepção do papel do professor como um facilitador e mediador efetivo da aprendizagem, apresentação e interação com os conteúdos em uma linguagem mais próxima dos alunos.

Veja uma experiência de uso do modelo Flipped classroom realizado pelo professor Ronaldo Prestes Gomes, do Colégio Medianeira, de Santiago (RS)

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