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Em entrevista, professora de Matemática fala sobre as dificuldades de aprendizagem dos alunos e os desafios dos professores para a prova deste ano

O Enem 2015 (Exame Nacional de Ensino Médio) se aproxima e, com ele, a expectativa e a correria de professores do Ensino Médio na reta final de preparação dos seus alunos. Com provas previstas para os dias 24 e 25 de outubro, o exame soma 7.746.057 candidatos inscritos neste ano, segundo balanço do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Conhecido como uma prova com enunciados nada óbvios e muitas questões que exigem interpretação de textos, o Enem mede o nível de conhecimento dos alunos, além de melhorar a qualidade do ensino oferecido aos estudantes. Dentro da rotina de estudos para as provas, uma das matérias mais temidas, sem dúvidas, é a de Matemática. A disciplina foi a única a apresentar retração no desempenho das escolas no Enem 2014, em comparação a 2013, de acordo com dados do Inep.

Para falar sobre o assunto, entrevistamos a professora de Matemática Taís R. Drabik de Almeida, que também é coordenadora de Desenvolvimento de Conteúdo e Novos Produtos da Positivo Informática Tecnologia Educacional. A educadora fala sobre a dificuldade dos alunos para o entendimento da disciplina, refletindo sobre os desafios do processo de ensino e aprendizagem, além de apresentar dicas sobre como os professores podem melhorar o desempenho dos estudantes. Fique por dentro!

TecEduc – Segundo os resultados do Enem do ano passado, o desempenho médio das escolas piorou em Matemática, na comparação com 2013. A queda foi registrada apenas nessa área do conhecimento. Na sua opinião, quais seriam as principais razões disso?
Taís – A Matemática é uma disciplina na qual os estudantes se defrontam com muitas dificuldades, principalmente na segunda parte do Ensino Fundamental, quando os assuntos estudados já não são de aplicação imediata, no dia a dia dos alunos. Há muitos anos, já existe um movimento que busca inserir os conteúdos estudados em contextos com os quais eles se identifiquem, mas isso não é suficiente para que os alunos superem as dificuldades que encontram. Diante disso, muitos professores preferem abordar de forma superficial os assuntos que apresentam maior dificuldade, ou diminuir o nível de exigência em Matemática para que os alunos avancem logo para as séries seguintes. Essa prática vai enfraquecendo a formação dos alunos, e eles chegam ao final do Ensino Médio sem terem na bagagem tudo o que será cobrado na prova do Enem. A queda no desempenho é uma consequência desse processo de desvalorização dos conteúdos, apesar deles serem cobrados alguns anos à frente. É claro que isso não acontece em todas as escolas, e demora muito tempo para o resultado ser percebido, pois não acontece de um ano para outro, mas no decorrer da formação dos alunos. Como o número de estudantes que fazem a prova é muito grande, essa tendência demora a aparecer no resultado estatístico.

TecEduc – Muitas pessoas dizem que o Enem é uma prova repleta de “pegadinhas” e que muitas questões podem ser resolvidas pela interpretação dos enunciados. Como você avalia isso, em relação à Matemática?
Taís – O que está sendo chamado de “pegadinha” é, na verdade, uma questão que tem um enunciado que não é óbvio. No Ensino Médio, são trabalhados vários conteúdos que não serão cobrados no Enem, embora sejam importantes para os alunos que ingressarão no Ensino Superior. Mas a Matemática que é cobrada no Enem é apenas a Matemática Básica, pois a prova tem como foco maior a interpretação dos textos e a utilização dos conhecimentos dos alunos para resolver problemas. E é aí que os alunos têm grande dificuldade. Às vezes o estudante domina a Matemática necessária para resolver certa questão, mas interpreta o enunciado de forma equivocada. Ora, de que adianta ter um conhecimento profundo de Matemática sem saber onde e como aplicar esse conhecimento?

TecEduc – Com esse cenário, como a tecnologia pode ajudar os alunos a entenderem melhor Matemática?
Taís – Embora não seja assim para grande parte dos professores, para o aluno a tecnologia já está integrada em seu dia a dia. E ela é essencial para que tenha acesso a questões variadas, às informações necessárias à resolução de problemas, para a interação com os colegas e troca de experiências. Também existem aplicativos que podem acompanhar o aprendizado dos alunos, por meio de uma tecnologia adaptativa, que vai indicar ao estudante quais são as suas deficiências no aprendizado e apresentar recursos que podem ajudá-lo a superá-las.

TecEduc – Falando em personalização do ensino e tecnologia adaptativa, como aplicativos como Aprimora Ensino Médio podem auxiliar o ensino e aprendizagem da disciplina?
Taís – O Aprimora Ensino Médio é um aplicativo que interpreta os acertos ou erros do estudante para indicar as próximas questões a serem resolvidas, mais fáceis ou mais difíceis. Isso significa que, em uma mesma turma, os alunos seguirão diferentes caminhos de aprendizado, mas em busca de adquirir um mesmo conhecimento. Além disso, conta com vídeos explicativos e conteúdos que servem como suporte para a aprendizagem.

TecEduc – Quais são suas recomendações para que os educadores preparem melhor os alunos para o exame deste ano, especificamente em Matemática?
Taís – Como regra geral, é importante que haja muito trabalho com a resolução de problemas. Isso significa, principalmente, trabalhar com diferentes tipos de enunciado (como acontece na prova do Enem) e o incentivo ao pensamento independente. Aqui encontramos uma grande dificuldade, porque os professores têm a tendência de aceitar uma forma única de resolver um problema, e não incentivam os alunos a buscar soluções alternativas. Seria muito enriquecedor se os alunos pudessem compartilhar diferentes maneiras de resolver um problema, e mesmo, diferentes soluções para ele, dependendo dos detalhes do enunciado.

Para conferir as competências exigidas para o Enem 2015, clique aqui e acesse o edital do exame.

E você, educador, como está preparando os seus alunos para resolver as questões de Matemática no Enem 2015? Compartilhe o seu depoimento aqui nos comentários da Revista TecEduc!