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A psicanalista Patrícia Dupin fala sobre os desafios da Educação do futuro frente à velocidade das mudanças da era digital

O que você espera da Educação no futuro? Como a velocidade das mudanças vem acelerando os relacionamentos e o desenvolvimento de novas tecnologias, novas habilidades e competências também devem chegar, rapidamente, à rotina da sala de aula. “Isso torna emergente a integralidade do pensar e sentir, num mundo absolutamente flexível e incerto”, explica a psicanalista e doutora em Ciências da Informação e da Comunicação, Patrícia Dupin.

Para orientar e esclarecer educadores e gestores sobre essas novidades, a Rede do Educador, um ambiente virtual de aprendizagem com cursos online desenvolvido pela Positivo Informática Tecnologia Educacional, oferece, em 2016, o curso “Um olhar para as competências socioemocionais”, a ser ministrado pela própria Patrícia.

Ficou interessado em conhecer as habilidades e competências que devem ser exigidas no futuro? Então, confira na íntegra a entrevista especial de Patrícia Dupin à Revista TecEduc!

TecEduc – O que se espera para a Educação do futuro, quando falamos nas habilidades que precisam ser desenvolvidas nos alunos?
Patrícia Dupin – Que mundo desejamos ter? Que habilidades nos faltam hoje? Como queremos idealmente viver? Estas perguntas podem nos levar a indícios de quais habilidades queremos desenvolver. A Educação é o empreendimento máximo das nossas vidas, pois amplia nossa visão, nossa mente, mobiliza nosso desejo, sendo capaz de facilitar inúmeras e inimagináveis conquistas. E para que? Para sermos mais e mais felizes. Nossas escolas estão tornando nossos alunos mais e mais felizes e realizados? Este é o fim que devemos incrementar, e os meios são desenvolver habilidades e capacidades para isso. Como ninguém vive de forma isolada, as necessidades não são unicamente direcionadas aos alunos. Se houver alguma expectativa sobre como queremos o amanhã, devemos começar a agir agora e de forma integrada, desenvolvendo não apenas os alunos, mas também incluindo professores, famílias e sociedade.

TecEduc – Qual é a importância das competências socioemocionais no contexto das mudanças proporcionadas pela Era Digital, como o impacto das redes sociais e das novas tecnologias?
Patrícia Dupin – Qual a importância do sono para o ser humano? É impossível existir sem ele, não é mesmo? E quais as consequências da privação do sono? Absolutamente, isso traz consequências tanto para o funcionamento orgânico quanto mental. Somos seres sociais, sensíveis, inteligentes e criativos. Integrais. As escolas de nossos avós desenvolveram seus conteúdos curriculares com base numa filosofia cartesiana, de um mundo de certezas absolutas, um mundo mecanicista e reducionista, onde o fenômeno cognitivo ganhou importância em detrimento das relações socioemocionais. A era digital acelera relações e tecnologias, o que torna emergente a integralidade do pensar e sentir, num mundo absolutamente flexível e incerto. Se o racional sozinho daria conta das certezas, ele certamente não o faz num mundo das complexidades e vulnerabilidades.

TecEduc – Quais são as possíveis relações entre empatia e tecnologia no processo de ensino-aprendizagem?
Patrícia Dupin – Num mundo complexo, as possibilidades de relações são infinitas. Que tipo de realidade você, educador, gostaria de levar os estudantes a “sentirem” usando recursos tecnológicos? Agora você pode. Num mundo decididamente tecnológico, qual você acredita que poderia ser o nosso destino se a maioria dos estudantes fossem pessoas altamente empáticas? Como eles usariam a tecnologia? Além disso, quantas milhares de funções tecnológicas poderiam ser favorecidas por uma análise empática? Você imagina como o desenvolvimento da empatia na escola pode contribuir para gerar cidadãos globais, abertos à complexidade e diversidade? Se sim, é possível que a tecnologia una todos os povos e países, concretizando a harmonia, englobando toda a civilização.

TecEduc – Quais práticas de habilidades socioemocionais você indicaria para o educador que quer estar em dia com as exigências do futuro?
Patrícia Dupin – É da natureza humana a capacidade de constatar a vida multifacetada e manifestar afeto, estabelecendo relações interpessoais genuínas com base na confiança. Viver por inteiro é um direito de hoje, muito mais do que uma exigência do futuro. Vitalizar essas habilidades não apenas vai tornar o ensino e aprendizado mais prazeroso para todos, como também vai otimizar resultados cognitivos nos estudantes, impulsionar a comunidade escolar, a sociedade sustentável e a felicidade individual e coletiva.

TecEduc – Considerando esse cenário, quando falamos no desenvolvimento de novas habilidades solicitadas pela Era Digital, quais são os principais desafios para os educadores junto aos seus alunos?
Patrícia Dupin – O maior desafio é romper a cultura enraizada do absolutismo, das respostas prontas, da escassez de perguntas interessantes, abrindo espaço para a expressão criativa. O maior desafio é desejar o pensamento e os sentimentos de cada um, amar as diferenças e fazer delas oportunidades de melhores soluções. Vencer a tendência de se opor ao outro, abrindo espaço para viver paradoxos e realizar sonhos.

TecEduc – Quais são as suas expectativas em ministrar o curso “Um olhar para as competências socioemocionais” a ser oferecido pela Rede do Educador em 2016? Como você espera contribuir para a prática pedagógica dos participantes?
Patrícia Dupin – O curso é um convite para educadores que desejam ser protagonistas do século XXI. Ele foi elaborado em forma de uma trilha que demonstra o valor de seres humanos melhor integrados, mais felizes e capazes. A qualidade e a natureza da interação entre as pessoas são responsáveis pela forma com que os indivíduos aprendem e se desenvolvem ao longo de suas vidas. Inúmeras experiências práticas confirmam que esta tendência veio para ficar. O curso possibilita que o educador facilite o surgimento de um ambiente socioemocional saudável e apresenta uma metodologia para ele criar e experienciar seu próprio projeto. Como educadores mais esclarecidos que somos, sabemos da importância e da responsabilidade em facilitar o desenvolvimento de habilidades socioemocionais como parte fundamental do processo de ensino e aprendizado. Esta prática pedagógica consiste em investir na plenitude da educação.

TecEduc – Do ponto de vista pedagógico, qual é a sua recomendação para a elaboração de um plano de aula alinhado com as novas tendências da Educação?
Patrícia Dupin – Planos de aula alinhados com as tendências do presente são pautados na interatividade, abrem espaço para perguntas e reflexões. Possibilitam a expansão da imaginação e o compartilhamento de aspectos socioemocionais: diferentes sentimentos, a diversidade, o multiculturalismo, a valorização de todas as inteligências. Diferentes visões, opiniões e sentimentos são muito bem-vindos e esperados. Promover um ambiente de aprendizado de alegria, respeito e autodesenvolvimento, fortalecimento do autoconceito, autoimagem, autoestima, empatia, onde se pode ser feliz enquanto se aprende, é a tendência atual. Seu plano de aula, quando aplicado torna os estudantes mais felizes?

Patrícia DupinSobre a Patrícia Dupin
Psicanalista, com graduação em Psicologia pela FCH-FUMEC Fundação Mineira de Educação e Cultura, D.E.A e doutorado em Ciências da Informação e da Comunicação pela Université du Sud de Toulon – Var, França. Formação em Biologia Cultural. Especialista em Inteligência Econômica para Sustentabilidade. Professora convidade da FDC Fundação Dom Cabral; Conteudista e professora do EAD (Ensino à distância) Membro do IBGC Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e membro do Comité CESE de Sustentabilidade; Pesquisadora do VLab4U Reseach Laboratory in Science of Information & Communication 2.0. Criação e execução de projetos customizados pela Intelligentsia CI. Apresentação de proposição de pesquisa no CNRS – Centre national de la recherche scientifique (Meudon, Fr).

Agora que você conheceu a importância do desenvolvimento das habilidades socioemocionais na rotina escolar, que tal compartilhar a sua opinião sobre o que espera da Educação nos próximos anos? Deixe o seu comentário.