Projeto Piloto com BBC micro:bit na Escola Municipal Jorge de Resende Sobrinho e UFAM

por | 06 / abr / 18 | BBC Micro:bit

A Escola Municipal Jorge de Resende Sobrinho e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), de Manaus (AM), estão realizando um projeto piloto com o BBC micro:bit, hardware baseado em uma pequena placa programável que inspira a criatividade digital, ensina o fundamental da programação e possibilita infinitas ideias.

Conversamos com o gestor da Escola Municipal Jorge de Resende Sobrinho, Oswaldo Fernandes da Silva Neto, e os alunos Jonathas Souza Pinheiro e Felipe Menezes de Castro da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Cleanne Gomes Ferreira, aluna da Universidade Paulista – Amazonas (UNIP), além dos professores Elio Molisani Ferreira Santos e Marisa Almeida Cavalcante, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que estão participando ativamente dos projetos.

A conversa você confere na íntegra aqui:

Positivo TecEduc – Como está sendo realizada a oficina com o dispositivo BBC micro:bit na Escola Jorge de Resende Sobrinho e na Universidade Federal do Amazonas? Quais níveis de ensino foram envolvidos no projeto?

Oswaldo – Desde 2015, a Escola Municipal Jorge de Resende Sobrinho oferece Robótica para alunos do ensino fundamental com apoio de outras tecnologias. Em 2018, o micro:bit possibilitou uma melhoria na dinâmica das aulas. Com o uso dos 25 dispositivos, conseguimos ampliar o número de alunos envolvidos no projeto, de 23 passamos a 118.

Élio – O piloto está ocorrendo em diversas instituições de Manaus. Na escola Municipal Jorge de Resende Sobrinho, o projeto está sendo aplicado no contra-turno em aulas de 1h30 de duração, duas vezes por semana para cada turma. São duas turmas, com um total de 37 alunos do 7º e 8ª ano do Ensino Fundamental 2. Terá a duração de 2 meses.

Na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o projeto será aplicado aos alunos calouros do curso de licenciatura em Física e do Instituto de Computação, em um total de aproximadamente 70 pessoas. A proposta é apresentar o BBC micro:bit aos futuros professores de Ensino Básico em conjunto com propostas didáticas inovadoras que estão se tornando cada vez mais essenciais ao ensino. Serão realizados dois encontros de formação e outros encontros de discussão e pesquisa sobre as potencialidades da placa como material de apoio ao Ensino baseado em metodologias ativas.

Boa parte desses alunos de graduação, que se inscreveram para participar do projeto, fazem parte de um programa de extensão denominado Casa da Física, que oferece aulas regulares aos sábados, na própria UFAM, para alunos do Ensino Básico que se inscrevem anualmente no programa. Por ano são atendidos cerca de 800 alunos de escolas públicas de 6° ano do Ensino Fundamental ao 3° ano do Ensino Médio, em aulas que privilegiam atividades experimentais e outras metodologias de ensino.

No final de 2017, um grupo de monitores da Casa da Física, que é composto por alunos de vários cursos de licenciatura, criou uma equipe de inovação, com o intuito de levar outras metodologias e materiais pedagógicos para as aulas. Assim, estão sendo criadas duas turmas piloto na Casa da Física com cerca de 40 alunos no total, que irão trabalhar inicialmente com o BBC micro:bit. O projeto com o micro:bit será de dois meses e os projetos desenvolvidos pelos alunos serão apresentados em amostras científicas e eventos ao longo do ano, a começar pelo Scratch Day que será realizado no dia 12 de maio de 2018.

Positivo TecEduc – Em sua visão, como os alunos reagem diante de dispositivos como o BBC micro:bit?

Oswaldo – É uma tecnologia muito pedagógica, em que os alunos sentem-se à vontade para dar vida a projetos interdisciplinares e tecnológicos.

Jonathas, Cleanne e Felipe – Com muito entusiasmo, pois vimos  que o micro:bit é uma ferramenta de aprendizagem para linguagem computacional muito simples e intuitiva que traz grande motivação ao aluno, possibilitando a eles uma melhor compreensão da lógica de programação e lhes proporcionando uma grande autonomia para criação de seus próprios programas e projetos. Os alunos da escola Jorge de Resende ficaram encantados com a imensidade de possibilidades que a placa pode oferecer.

Positivo TecEduc – Já conseguem medir algum resultado a partir da oficina com os BBC micro:bit?

Oswaldo – Nós estamos na 6ª aula e teremos em breve um momento de avaliação. Com o projeto nos veio a ideia de competir com o micro:bit na OBR😎😎😎😎. Estamos querendo participar da competição!

Jonathas, Cleanne e Felipe respondem: Logo tivemos a percepção dos potenciais que estão conosco, crianças de periferias que estão tendo a chance de criar e inovar a partir da sua criatividade. Observamos que os alunos estão mais ativos nas aulas e investigativos, assim a aprendizagem se torna uma experiência pessoal que é internalizada e que se torna conhecimento.

Positivo TecEduc – Qual a importância de uma Cultura Maker, que tem como objetivo principal ‘’aprender fazendo’’, no desenvolvimento dos alunos que estão hoje na escola? Quais os impactos que este tipo de conhecimento trará aos alunos futuramente?

Oswaldo – Os alunos têm a oportunidade de entrar em contato com um ensino de qualidade e veem tudo o que podem fazer com suas próprias mãos.

Jonathas, Cleanne, Felipe e Marisa – É de fundamental importância que a cultura do “aprender fazendo” seja disseminada nas salas de aula, pois criamos ambientes que possibilitem aos alunos um desenvolvimento de diferentes habilidades, permitindo até modificar estruturas cognitivas de tal modo que se desperte “o cientista” que há dentro de cada criança, fazendo com que pesquisem, que busquem formas e alternativas para resolver problemas desde o mais simples até os mais complexos, a iniciativa por atrás das informações sobre algo que eles não têm domínio de conhecimento. É um impacto social gigantesco, em que você permite que estas crianças acreditem em suas potencialidades e se apaixonem por aprender. É o famoso “sair da caixa” dentro do ambiente colaborativo de aprendizagem que atravessa os muros da escola. Qualquer lugar e qualquer momento são propícios para se aprender.

Positivo TecEduc – Quais pontos destacaria para implementação de um projeto de sucesso com foco em inovação tecnológica?

Oswaldo – Destaco a mudança na atitude dos nossos alunos. Agora eles têm orgulho da Escola Municipal Jorge de Resende Sobrinho e dos projetos que participam.

Marisa – Envolver os professores durante todo o processo de modo a instrumentalizá-lo e possibilitar que ele também tenha acesso as metodologias mais ativas e inovadoras. Se o professor não for envolvido neste processo e lhe dar a chance de se apaixonar tanto quanto ou mais, por esta nova forma de aprender; nada e nenhuma mudança acontecerá. Será um projeto pontual e com tempo certo pra acabar. Na escola em que o projeto está sendo desenvolvido, poucos professores estão envolvidos neste processo, apenas aqueles diretamente ligados aos cursos de robótica e com objetivos claramente competitivos. O que não é uma critica, mas uma constatação. Acreditamos que é preciso mais. Para uma verdadeira transformação é preciso que toda a comunidade participe para que a Cultura Maker possa de fato ganhar espaço dentro das escolas. Este, no meu entender, é um dos pontos que precisam ser levados em conta na disseminação de projetos desta natureza. O professor no Brasil não vê expectativas de avanços, não tem uma remuneração adequada e é desmotivado mediante uma realidade tão difícil, colocando por vezes em risco a própria vida em ambientes de alta hostilidade. Este professor precisa ser resgatado, ter sua autoestima trabalhada tal qual os nossos jovens estão experimentando no desenvolvimento deste projeto. A integração do pensamento computacional e a cultura do aprender fazendo tem que atingir todas as áreas do conhecimento e é “direito de todos” terem acesso a estas inovações. Só mudamos paradigmas educacionais se tivermos uma vontade coletiva e isso envolve professores, estudantes, gestores e comunidade. Nossos professores devem ter esta oportunidade para que possam amar ainda mais o que fazem e se auto-valorizarem neste processo de ensino e aprendizagem. Ser um aprendente também nesta troca, ser um orientador e não um instrutor. Isso lhe fará crescer, não apenas como profissional mas sobretudo, como ser humano. Mais atenção aos professores!!!! É o que falta neste processo.

Jonathas, Cleanne e Felipe – Os principais pontos que destacamos a sucesso em projetos com foco em inovação tecnológica são:
Eles devem aprender brincando (tem que ser interessante e divertido pra eles, o professor deve criar um ambiente onde os alunos se sintam livres para trabalhar brincando). Trabalhar em equipe (ou em pares) é fundamental, para desenvolver a empatia entre os alunos, para que todos possam pensar juntos em como resolver problemas sociais. Ter um foco através de temas e projetos. Amar o que faz! Todos devem se sentir bem com que estão fazendo, assim a aula se torna mais prazerosa.

Veja a galeria com as imagens das aulas de robótica com BBC micro:bit:

 

Participam da equipe que conduz o projeto na Escola Municipal Jorge de Resende Sobrinho e na UFAM:

Professores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Elio Molisani Ferreira Santos
Marisa Almeida Cavalcante

Alunos 

Jonathas Souza Pinheiro – Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
Felipe Menezes de Castro – Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
Cleanne Gomes Ferreira – Universidade Paulista – Amazonas (UNIP)

por | 06 / abr / 18 | BBC Micro:bit

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